sexta-feira, 24 de junho de 2016

Pense nisso!!!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Bipolaridade

Transtorno Bipolar, com o Psiquiatra Adelman Asevêdo Filho

Agitação, irritação, fala rápida, depressão, agressividade, euforia…De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), cerca de 4% da população mundial sofre de Transtorno Bipolar, em suas diferentes formas de apresentação. Ainda segundo a Associação, 60% dos casos da doença se manifesta antes dos 20 anos de idade. A seguir, o Psiquiatra Adelman Asevêdo Filho, esclarece pontos fundamentais sobre o assunto. Confira:

Boa Vida Online – O que é Transtorno Bipolar?

Dr. Adelman Asevêdo Filho – Caracterizado por bruscas alterações de humor que oscilam entre episódios de depressão e de euforia (também denominado de mania), o Transtorno Bipolar é uma doença mental frequente e pode apresentar dois graus de intensidade. O tipo I é evidenciado por situações de extrema depressão alternando-se a muita euforia e atinge cerca de 1% da população geral. Já o quadro mais brando da doença, o Transtorno Bipolar do tipo II apresenta depressão e euforia de forma menos acentuada e pode chegar até 8% da população.

Dr. Adelman Asevêdo Filho, Psiquiatra, CRM – GO 11959.

Boa Vida Online – Como reconhecer uma pessoa com Transtorno Bipolar?

Dr. Adelman Asevêdo Filho – É comum em todos os casos a presença de episódios depressivos e de euforia (mania) em determinados momentos da vida.

episódio depressivo é caracterizado por tristeza, desânimo, baixa autoestima, alterações no sono, apetite, podendo ocorrer até pensamento ou planejamento de suicídio. Geralmente esses sintomas duram, no mínimo, 15 dias.

Já o episódio de mania (euforia extrema)corresponde a um período de duração mínima de uma semana e nele a pessoa mostra-se mais alegre, com menos necessidade de sono, torna-se mais falante, mais irritada, compulsiva por compras, gastando excessivamente, mesmo sem condições financeiras para tal. Podem ocorrer, também, nesse período, delírios de grandeza, em que o indivíduo acredita ter poderes sobrenaturais ou acha que é alguém muito importante. Comumente, em casos extremos, a pessoa apresenta alucinações – escuta vozes e/ou vê pessoas, coisas que não existem de fato.

E por último o episódio de hipomania, que a grosso modo, é uma mania (euforia) mais branda. Há uma alegria acentuada, pensamento mais acelerado, menor necessidade de sono, maior irritabilidade. No entanto, como a intensidade é menor que na mania (euforia extrema) não ocorrem delírios, nem alucinações. A duração mínima também é de uma semana.

Na maior parte dos casos clínicos, os períodos relatados acima são bem perceptíveis e determinam uma ruptura do ciclo normal de vida do indivíduo. Existe a fase normal, em que a pessoa se comporta como qualquer outra e as fases depressivas e maníacas/hipomaníacas.

Rita Lee é uma das famosas com Transtorno Bipolar. ( Foto: reprodução)

É comum me perguntarem: “Doutor, eu sou bipolar? De manhã estou alegre e a tarde triste!” Todas os seres humanos vivem momentos alegres e tristes de acordo com as coisas que ocorrem no dia-a-dia e suas emoções podem variar bastante. Mas isso não significa que tenham transtorno bipolar. Quadros depressivos leves, transtornos de ansiedade, momentos de maior estresse pelas dificuldades cotidianas podem fazer com que alguém perca o sono, pense muito nos problemas, fique irritado, triste, sem que tenha transtorno bipolar.

Boa Vida Online – Existe cura para o Transtorno Bipolar?

Dr. Adelman Asevêdo Filho – O Transtorno Bipolar é uma doença crônica, portanto, assim como o diabetes ou a hipertensão não tem cura. Mas tem controle! Existem vários medicamentos para o tratamento. O carro chefe é composto pelos estabilizadores do humor, mas é possível usar antidepressivos e, também, antipsicóticos – principalmente os mais novos, chamados de segunda geração. Os remédios existentes hoje são muito bem tolerados, com poucos efeitos colaterais e permitem que se tenha uma vida absolutamente normal. Quem faz uso desses medicamentos não vai ficar “dopado”, impossibilitado de trabalhar. Além disso, a psicoterapia, associada aos medicamentos, ajuda muito no tratamento